Pular para o conteúdo
SEO & AEO

O Search Console finalmente mostra o tráfego de IA, e o relatório é mais incômodo do que parece

Desde 31 de agosto todo site tem o relatório de IA generativa no Search Console. Ele conta impressões dentro das respostas do Google, e só isso. Nada de clique, nada de consulta, nada de posição. Mesmo assim, dá para tirar três decisões dele.

Diego Zanqueta7 min de leitura
Painel do Search Console separando impressões em resultados tradicionais e em respostas geradas por IA
Painel do Search Console separando impressões em resultados tradicionais e em respostas geradas por IA

O pedido mais repetido do mercado de busca nos últimos dois anos foi: mostra quanto de tráfego a IA está tirando da gente. Em junho o Google começou a responder, e desde 31 de agosto o relatório está disponível para todos os sites, em todo lugar.

Quem abriu esperando um veredito saiu frustrado. O relatório mostra impressões dentro de recursos de IA generativa da busca, e para por aí. Sem clique, sem taxa de clique, sem posição média, sem lista de consultas. E a API do Search Analytics e a exportação para o BigQuery não trazem esse dado, então não dá nem para contornar programando.

É pouco. Também é a primeira vez que existe um número oficial sobre isso, e um número incompleto vindo da fonte vale mais que uma estimativa completa vinda de uma ferramenta que adivinha.

O que o relatório mostra, e o que ele esconde

DisponívelAusente
Impressões em recursos de IA generativaCliques originados dessas respostas
Separação entre busca tradicional e IATaxa de clique do bloco de IA
Quais páginas suas foram citadasQuais consultas geraram a citação
Recorte por país, aparelho e dataPosição média dentro da resposta
NadaAcesso via API ou BigQuery

Tem uma sutileza que confunde muita gente e vale explicar direito.

Cliques vindos do AI Mode já estavam no seu relatório de desempenho desde meados de 2025, misturados com o resto. Quando alguém abre um link seu dentro da resposta, isso sempre contou como clique. O que nunca deu para fazer foi separar. Continua sem dar.

Então o quadro hoje é este: você sabe quantas vezes apareceu nas respostas, sabe quantos cliques teve no total, e não consegue ligar uma coisa na outra. É um passo à frente e dois terços do caminho ainda no escuro.

Por onde começar, na prática

Três leituras que o relatório permite hoje e que mudam decisão.

1. Quais páginas suas o Google escolhe citar

Essa é a informação mais útil do conjunto inteiro. Ordene por impressões em IA e olhe o topo.

Quase sempre aparece um padrão desconfortável: as páginas citadas não são as que vendem. São as páginas que explicam. Guia, glossário, comparativo, artigo que responde uma pergunta específica. A página de serviço, aquela feita para converter, raramente entra.

Isso não é um defeito do Google. É uma descrição de como ele lê o seu site. Página que afirma "somos referência em X" não tem o que ser citado. Página que explica como X funciona, com número e critério, tem.

2. A distância entre aparecer e ser procurado

Compare, no mesmo período, as impressões em IA com as impressões em busca tradicional para as mesmas páginas.

Página com muita impressão em IA e pouca em busca tradicional é conteúdo que o modelo considera bom para explicar e que o usuário não está achando sozinho. Costuma valer investir em link interno e em título mais direto.

O contrário, muita impressão tradicional e nenhuma em IA, indica conteúdo que ranqueia por autoridade acumulada mas não está estruturado de um jeito citável. É o caso mais comum em site antigo com artigo longo e sem subtítulo que responda pergunta.

3. Onde o país e o aparelho contam outra história

O recorte por país serve para negócio local de um jeito específico: se você atende uma região e aparece em respostas de outros estados, seu conteúdo está posicionado de forma mais genérica do que a sua operação. Não é ruim em si, mas explica impressão que nunca vira cliente.

O que combinar com esse relatório

Ele sozinho não responde a pergunta que importa, que é se isso vira negócio. Três fontes completam o quadro, e nenhuma delas é paga.

Referência de assistentes de IA no seu analytics. Visitas vindas de ChatGPT, Perplexity, Gemini e Claude aparecem como referência. É pouco volume, e a qualidade tende a ser bem acima da média porque a pessoa chega depois de ter lido uma recomendação. Separe esse canal em vez de deixar cair em "outros". É a única forma de saber se a citação vira gente.

Volume de busca pela sua marca. Se a sua marca passa a ser citada em respostas, parte das pessoas não clica: elas pesquisam o seu nome depois. Esse movimento aparece como crescimento de busca por marca no próprio Search Console, e é um dos sinais mais confiáveis de que a citação está funcionando.

Teste manual, uma vez por mês. Monte uma lista de vinte perguntas que um cliente real faria e rode nos assistentes. Anote quem foi citado. Não escala, não é bonito, e é o dado mais próximo da verdade que existe hoje.

O erro de interpretação que eu já vejo chegando

Alguém vai abrir esse relatório, ver poucas impressões em IA e concluir que IA não importa para o negócio dele.

Duas razões para desconfiar dessa conclusão.

A primeira é que o relatório cobre recursos de IA dentro da busca do Google. Ele não enxerga o ChatGPT, não enxerga o Perplexity, não enxerga assistente dentro de aplicativo. Uma fatia crescente da pesquisa comercial acontece fora da caixa de busca, e nada disso está aí.

A segunda é que impressão baixa em IA num setor onde os concorrentes também têm impressão baixa não diz nada sobre o tamanho da oportunidade. Diz que ninguém ocupou o espaço ainda.

O contrário também vale, e é mais doloroso. Impressão alta em IA com tráfego caindo não significa que a IA está te roubando clique de propósito. Significa que a sua página está sendo usada para responder uma pergunta que não exigia visita. A correção não é bloquear rastreador, é escrever conteúdo cuja resposta completa precise da sua página, do seu cálculo, da sua ferramenta ou do seu preço.

O que eu faria nesta semana

  1. Abra o relatório e exporte as vinte páginas com mais impressões em IA.
  2. Para cada uma, pergunte: essa página tem um próximo passo claro para quem chegou? A maioria não tem, porque foi escrita para informar.
  3. Separe no seu analytics as visitas vindas de assistentes de IA como canal próprio.
  4. Anote o volume de busca pela sua marca hoje. É a linha de base do experimento que você vai rodar nos próximos meses.

Nada disso é otimização. É instrumentação. E instrumentar antes de otimizar é a diferença entre ter uma estratégia e ter uma opinião.

Perguntas frequentes

O que é o relatório de IA generativa do Search Console?

É uma visão dedicada dentro do relatório de desempenho que mostra quantas vezes as páginas do seu site apareceram em recursos de IA generativa da busca do Google, como AI Overviews e AI Mode. Foi lançado em 3 de junho de 2026 e liberado para todos os sites em 31 de agosto de 2026.

O relatório mostra cliques vindos das respostas de IA?

Não. Ele expõe apenas impressões. Cliques originados no AI Mode já são contabilizados no relatório de desempenho geral desde 2025, mas não é possível filtrá-los separadamente.

Dá para ver quais consultas geraram citação em IA?

Não. O relatório não traz recorte por consulta, e os dados de IA generativa também não estão disponíveis na API do Search Analytics nem na exportação para o BigQuery.

AI Overviews e AI Mode aparecem separados?

Não. Os dois são agrupados sob recursos de IA generativa da busca, sem distinção entre eles no relatório.

Como medir tráfego vindo de ChatGPT e Perplexity?

Pelo relatório de origens do seu analytics, tratando esses domínios como um canal próprio. O Search Console cobre apenas os recursos de IA dentro da busca do Google, e não enxerga assistentes de terceiros.

Compartilhar

Quer isso aplicado na sua conta?

A gente faz um diagnóstico da operação antes de propor qualquer coisa, e diz também quando não vale contratar.

Falar com a Zenth