CAC, LTV, ROAS e MER: quatro siglas que respondem quatro perguntas diferentes
A maior parte das reuniões de marketing trava porque duas pessoas usam a mesma sigla para falar de coisas distintas. As quatro contas, escritas por extenso, com o erro clássico de cada uma e o momento certo de olhar para cada uma.
Numa reunião que acompanhei, o gestor de tráfego disse que o ROAS estava em 7. O sócio respondeu que então a empresa deveria estar sobrando dinheiro, e não estava. Os dois tinham razão, e ninguém entendeu o que acontecia.
Isso acontece porque essas siglas não são sinônimos de "está indo bem". Cada uma responde uma pergunta específica, e usar a resposta de uma para a pergunta de outra é como conferir a temperatura com a balança.
Vamos por partes, com conta feita.
CAC: quanto custa conquistar um cliente
CAC = tudo que você gastou para adquirir ÷ número de clientes novos
O ponto que quase todo mundo erra: "tudo que você gastou" não é só a verba de mídia. Entra a mensalidade da agência, a ferramenta, a parte do salário de quem trabalha nisso, e a comissão do vendedor.
Um exemplo:
| Linha | Valor |
|---|---|
| Mídia | R$ 8.000 |
| Agência | R$ 3.000 |
| Ferramentas | R$ 400 |
| Comissão de vendas | R$ 1.600 |
| Total | R$ 13.000 |
| Clientes novos no mês | 26 |
| CAC | R$ 500 |
Se você tivesse contado só a mídia, teria dito que o CAC era R$ 307. Uma diferença de 63%, e todas as decisões tomadas em cima do número menor estariam otimistas demais.
LTV: quanto esse cliente deixa ao longo do tempo
LTV = ticket médio × número de compras na vida do cliente × margem
O erro aqui é o oposto do anterior: gente que esquece a margem e usa faturamento.
Um cliente que compra R$ 300 por mês durante 14 meses gera R$ 4.200 de receita. Com margem de 35%, o LTV é R$ 1.470. É esse número, o de margem, que precisa cobrir o CAC. Comparar CAC com receita bruta é a forma mais rápida de achar que uma operação no vermelho está saudável.
Com o CAC de R$ 500 do exemplo anterior e esse LTV, a razão é 2,9 para 1. Costuma-se dizer que uma operação sustentável fica em 3 para 1 ou acima. Abaixo de 1, cada cliente novo tira dinheiro da empresa.
ROAS: quanto a mídia devolveu
ROAS = receita atribuída ÷ verba de mídia
Este é o mais citado e o mais mal interpretado, por dois motivos.
O primeiro é o denominador: ROAS considera só a verba de mídia. Não entra agência, ferramenta nem salário. Ele mede a eficiência da compra de mídia, não a saúde do negócio.
O segundo é o numerador, e é aqui que a reunião do começo travou. "Receita atribuída" é receita que a plataforma decidiu que foi dela. Como a Meta credita a si mesma vendas de quem apenas viu o anúncio, e como o Google credita o último clique, as duas somadas frequentemente declaram mais receita do que a empresa faturou.
Não é fraude. É que cada uma responde "eu participei disso?" e não "eu causei isso?".
Por isso ROAS serve muito bem para uma coisa e mal para outra:
- Serve para comparar criativos e públicos dentro da mesma plataforma, porque o viés é o mesmo dos dois lados.
- Não serve para dizer se a empresa lucrou, nem para comparar Meta com Google.
MER: o retorno que o caixa enxerga
MER = receita total da empresa ÷ investimento total em marketing
Nenhuma atribuição envolvida. Pega tudo que entrou no período, divide por tudo que saiu em marketing, e pronto.
Ele não diz qual anúncio funcionou. Diz se o conjunto está funcionando, e é o único desses quatro números que ninguém consegue distorcer.
Voltando à reunião: o ROAS declarado era 7. O MER daquela empresa era 1,9. A diferença estava sendo causada por campanhas de remarketing que recebiam crédito por vendas de clientes que já iam comprar de qualquer forma.
Qual olhar para qual decisão
| Pergunta | Métrica | Onde olhar |
|---|---|---|
| Qual criativo desligar? | ROAS | Plataforma |
| Posso aumentar a verba? | CAC contra LTV | Planilha própria |
| Vale investir em reter em vez de adquirir? | LTV | Sistema de vendas |
| A operação está lucrando? | MER | Financeiro |
| Quanto posso pagar por cliente? | LTV ÷ 3 | Planilha própria |
Como montar isso sem virar um projeto
Não precisa de ferramenta nova. Uma planilha com seis colunas resolve, atualizada uma vez por mês:
mês · receita total · verba de mídia · outros custos de marketing · clientes novos · clientes ativos
Dessas seis colunas saem CAC, MER e a base do LTV. Três meses de histórico já mostram tendência, e tendência vale mais que precisão: um CAC de R$ 500 que era R$ 380 há dois meses conta uma história que nenhum número isolado conta.
E se você precisar escolher um só número para acompanhar, escolha o MER. É o mais chato, o menos detalhado, e o único que não mente.
Quer isso aplicado na sua conta?
A gente faz um diagnóstico da operação antes de propor qualquer coisa, e diz também quando não vale contratar.
