Quanto custa uma agência de marketing digital (e por que ninguém publica a tabela)
Não é segredo comercial. É que o preço muda de sentido conforme o modelo de cobrança, e cada modelo cria um incentivo diferente para a agência. Os três modelos, as faixas reais no Brasil e as quatro perguntas que revelam o custo verdadeiro.
Toda semana alguém pergunta o preço antes de perguntar qualquer outra coisa. E toda semana a resposta honesta decepciona, porque ela começa com "depende".
Só que o "depende" aqui não é fuga. É que existem três formas completamente diferentes de cobrar por esse serviço, e o mesmo valor significa coisas opostas em cada uma. Antes da faixa de preço, então, os três modelos, porque é isso que muda o que a agência faz com o seu dinheiro.
Os três modelos, e o que cada um faz com o incentivo
Valor fixo mensal
Você paga um valor combinado, independente de quanto investe em anúncio.
É o modelo mais previsível para quem contrata e o mais comum no Brasil para operações de até uns R$ 50 mil de verba mensal. O risco embutido: se a sua conta crescer muito, a agência não ganha nada a mais por isso, e a tentação de deixar no piloto automático aumenta com o tempo.
Percentual da verba de mídia
Você paga uma fatia do que investe, normalmente entre 10% e 20%.
Este é o modelo que mais aparece em material de venda e o que eu tenho mais reserva em recomendar. Repare no que ele cria: a agência ganha mais quando você gasta mais, não quando você vende mais. Se a decisão certa for cortar a verba pela metade e concentrar no que funciona, essa decisão custa dinheiro a quem vai tomá-la.
Não estou dizendo que toda agência que cobra assim age de má fé. Estou dizendo que o modelo empurra numa direção, e ninguém rema contra o próprio incentivo o tempo todo.
Fixo mais variável por resultado
Um valor base menor, mais uma comissão sobre venda ou meta atingida.
No papel é o mais justo. Na prática ele esbarra em duas coisas. A primeira é a atribuição: se as plataformas não concordam entre si sobre quantas vendas aconteceram, quem define a base da comissão? A segunda é mais sutil, e eu vejo acontecer: com a remuneração amarrada ao resultado do mês, a agência para de testar. Teste custa dinheiro no curto prazo e paga no médio, e ninguém aposta o próprio salário nisso.
As faixas que a gente vê no mercado brasileiro
Isto não é tabela de ninguém, é o que observamos operando e auditando contas. Serve como régua, não como cotação.
| Faixa mensal | O que costuma vir junto | Para quem faz sentido |
|---|---|---|
| R$ 800 a R$ 1.500 | Uma pessoa cuidando de várias contas, campanhas mantidas no ar, relatório automático | Negócio local, verba abaixo de R$ 3 mil, operação simples |
| R$ 1.500 a R$ 3.000 | Gestão ativa, criativos novos com frequência, reunião mensal | Maioria das pequenas e médias empresas |
| R$ 3.000 a R$ 8.000 | Estratégia, mídia, criativo e medição com pessoas diferentes, rastreamento montado | Quem já valida o produto e quer escalar |
| Acima de R$ 8.000 | Time dedicado, produção de conteúdo, integração com CRM e dados | Operação com verba alta ou várias frentes |
Duas leituras que essa tabela permite e que quase ninguém faz:
Preço baixo não é golpe. Se a sua operação é uma clínica com uma campanha rodando, R$ 1.200 pode ser exatamente o certo. Pagar R$ 6.000 por estratégia que você não vai usar é desperdício igual.
Preço alto sem escopo é. A pergunta não é quanto custa. É quantas horas de qual senioridade estão dentro desse valor.
A confusão que mais aparece: mensalidade não é verba
Este parágrafo existe porque a conversa trava aqui pelo menos uma vez por mês.
A mensalidade da agência paga o trabalho: estratégia, montagem, acompanhamento, criativo, análise. A verba de mídia é dinheiro seu que vai direto para a Meta e para o Google, e a agência não toca nele, não recebe parte dele e não deveria misturá-lo na mesma linha do orçamento.
Se uma proposta diz "R$ 3.500 tudo incluso" sem separar as duas coisas, peça a separação antes de assinar. Ou o valor de gestão é muito menor do que parece, ou a verba de mídia é pequena demais para o que você espera, e nos dois casos você precisa saber qual.
O que está dentro do valor, na prática
Uma conta de tráfego bem cuidada consome, por mês, algo como:
- 4 a 8 horas de acompanhamento e ajuste de campanha
- 3 a 10 peças de criativo novo, dependendo do quanto o público satura
- 2 a 4 horas de análise e leitura de dado
- 1 a 2 horas de reunião e alinhamento
Some a isso ferramenta, imposto e o fato de que a pessoa que faz isso bem não é júnior. Quando o valor da proposta não fecha essa conta, alguma dessas linhas vai ser cortada. Normalmente é o criativo, e o resultado aparece por volta do terceiro mês.
Quando não vale contratar agência
Prefiro dizer isto por escrito.
Se você não tem oferta validada. Agência de tráfego amplifica o que existe. Se o produto não vende no boca a boca, no direct, para o cliente que já conhece você, o anúncio vai amplificar o não. Resolva a oferta primeiro.
Se a verba mensal é menor que a mensalidade. Investir R$ 1.000 em mídia e R$ 2.000 em gestão raramente fecha a conta. Nesse ponto, aprender a rodar sozinho ou contratar uma consultoria pontual costuma render mais.
Se ninguém do seu lado vai atender o lead. Já vimos campanha impecável morrer porque as mensagens ficavam sem resposta até o dia seguinte. Antes da mídia, arrume o atendimento.
As quatro perguntas que revelam o preço real
Leve estas para qualquer reunião de proposta, inclusive a nossa:
- Quantas contas cada gestor atende ao mesmo tempo? É o número que melhor prevê quanta atenção a sua vai receber. Acima de quinze, desconfie.
- Quantos criativos novos por mês estão inclusos, e quem produz? Criativo é a peça que mais consome verba e a primeira a ser cortada em contrato apertado.
- A cobrança muda se eu aumentar ou diminuir a verba? A resposta expõe o modelo e o incentivo.
- Como vocês medem venda, e o que acontece se o número de vocês não bater com o do meu financeiro? Quem já pensou nisso responde na hora. Quem não pensou improvisa, e você vai descobrir isso no fechamento do primeiro mês.
A conta que decide se vale a pena
No fim, o preço da agência só faz sentido contra o que ele destrava. A conta é curta:
Faça essa continha antes de qualquer reunião. Ela transforma "está caro" em uma pergunta respondível, e muda completamente a conversa: em vez de negociar desconto, você passa a discutir quantos clientes a mais são plausíveis. Que é, afinal, a única coisa em disputa.
Quer isso aplicado na sua conta?
A gente faz um diagnóstico da operação antes de propor qualquer coisa, e diz também quando não vale contratar.