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Perguntar a nota antes de mandar o cliente para o Google é violação, e a punição é o perfil parar de receber avaliação

O fluxo que várias ferramentas brasileiras vendem como boa prática é proibido pela política do Google. Filtrar quem avalia por satisfação pode custar as avaliações que você já tem. O que é permitido, o que não é, e o pedido que funciona sem gambiarra.

Diego Zanqueta7 min de leitura
Fluxo de pesquisa de satisfação que separa clientes satisfeitos e insatisfeitos antes do Google
Fluxo de pesquisa de satisfação que separa clientes satisfeitos e insatisfeitos antes do Google

O fluxo é vendido como inteligente e está em dezenas de ferramentas brasileiras de reputação. Funciona assim: depois do atendimento, o cliente recebe uma pesquisa com uma pergunta, geralmente uma nota de 0 a 10. Se responde 9 ou 10, cai numa tela com o link do Google. Se responde menos, cai num formulário interno de reclamação.

A lógica parece boa: só quem está satisfeito vai para o lugar público, e quem não está fala com você em particular.

A política do Google chama isso de solicitação seletiva de avaliações positivas, e é proibido.

O que a política diz

O Google proíbe explicitamente desencorajar ou impedir avaliações negativas, e proíbe solicitar seletivamente avaliações positivas de clientes. As duas coisas estão na política de engajamento falso.

A regra proíbe um conjunto maior de práticas do que a maioria imagina:

  • Filtrar por satisfação antes de direcionar ao Google. É o fluxo descrito acima.
  • Oferecer incentivo em troca de avaliação, de revisão de nota ou de remoção de avaliação negativa. Desconto, brinde, sorteio, cashback.
  • Pedir que o cliente avalie estando no estabelecimento, sob pressão ou como condição.
  • Pedir conteúdo específico, incluindo mencionar o nome de um funcionário.
  • Estabelecer meta de avaliações para a equipe, ou dar script pronto de solicitação.

Esse último costuma surpreender. Muita empresa tem bonificação por número de avaliações no Google, e isso entra na lista de práticas proibidas.

O que é permitido, e é mais do que parece

A política não proíbe pedir. Ela proíbe escolher quem pede e influenciar o conteúdo.

O que é permitido:

  • Pedir avaliação a todos os clientes, sem separar por satisfação prévia.
  • Facilitar o caminho: link curto, QR code, botão no e-mail de pós-venda.
  • Lembrar uma vez quem não avaliou.
  • Responder todas as avaliações, inclusive as ruins.
  • Explicar que a avaliação ajuda o negócio. Pedir é legítimo. Comprar não.

A diferença entre o permitido e o proibido cabe numa frase: você pode convidar todo mundo para a mesma porta, e não pode escolher quem passa por ela.

Por que o fluxo com filtro dá menos resultado do que parece

Além de ser proibido, ele é menos eficiente do que promete, e vale entender por quê.

Um perfil com 180 avaliações e nota 5,0 cravada não transmite mais confiança que um com 90 avaliações e nota 4,6. Transmite menos. Consumidor já aprendeu a desconfiar de perfeição, e a primeira coisa que muita gente faz é procurar a avaliação ruim para ver como a empresa respondeu.

A avaliação de 3 estrelas bem respondida costuma vender mais do que a de 5 estrelas sem comentário. Ela prova três coisas ao mesmo tempo: que as avaliações são reais, que existe gente atendendo, e como a empresa se comporta quando algo dá errado.

Quem filtra abre mão exatamente disso para ganhar um decimal na média.

O que fazer se você já usa uma ferramenta assim

Sem drama e sem pânico. Três passos.

1. Olhe o fluxo da ferramenta, não a descrição comercial. Faça o percurso como cliente e dê uma nota baixa. Se você não for levado ao Google, o filtro existe. Várias ferramentas fazem isso sem destacar no material de venda.

2. Desligue a bifurcação, mantenha a pesquisa. A pesquisa interna de satisfação é útil e não tem problema nenhum. O que precisa mudar é que o convite ao Google apareça para todo mundo, independentemente da nota. Dá para manter as duas coisas na mesma tela.

3. Revise metas internas. Se existe bonificação por número de avaliações, troque por bonificação por satisfação medida internamente. O resultado desejado é o mesmo e o risco sai.

O pedido que funciona

Trocar o filtro por um pedido bem feito costuma render mais do que o mercado espera. Quatro coisas importam:

Momento. O melhor instante é logo depois da entrega do valor, não dias depois. Para serviço, no fim do atendimento. Para produto, alguns dias após o recebimento, quando já houve uso.

Canal. Onde a conversa já acontece. Se o cliente fala com você no WhatsApp, o pedido vai no WhatsApp. Trocar de canal para pedir favor derruba a taxa.

Atrito. Link direto para a caixa de avaliação, não para o perfil. O caminho de achar o botão dentro do perfil no celular perde metade das pessoas.

Texto. Curto, sem roteiro e sem pedir estrelas. Algo como: sua opinião no Google ajuda outras pessoas a decidirem, e ajuda muito a gente. Sem dizer o que escrever, sem dizer quantas estrelas, sem citar funcionário.

Como responder as ruins

Três regras, e a terceira é a difícil.

Rápido. Resposta duas semanas depois já foi lida por muita gente sem nada embaixo.

Sem dados pessoais. Não confirme publicamente que a pessoa é cliente, não cite número de pedido, não conte detalhe do caso. Além de política de plataforma, é LGPD.

Sem ganhar a discussão. A resposta não é para o autor da avaliação. É para as próximas cem pessoas que vão ler. Empresa que rebate ponto a ponto e prova que o cliente estava errado ganha o argumento e perde os cem leitores.

Quem usa apoio de IA para escrever resposta: funciona bem para rascunho e mal para envio automático. As respostas ficam corretas, parecidas entre si e vazias. Rascunho automático com revisão humana é o formato que sustenta volume sem soar robótico.

O que não fazer

Não compre avaliação. Precisa estar escrito, porque ainda se vende bastante. Além de violar a política, os padrões de detecção pegam pacotes comprados com facilidade e a limpeza leva junto avaliações legítimas do mesmo período.

Não peça para funcionário avaliar. Mesmo quando ele gosta mesmo do lugar. É avaliação sem experiência de cliente e costuma ser identificada.

Não ofereça desconto em troca. Nem como sorteio, nem como cortesia, nem "só para quem avaliar". Incentivo é o item mais explícito da política.

Não denuncie avaliação ruim só por ser ruim. Denúncia serve para conteúdo que viola política: ofensa, spam, conflito de interesse, avaliação de quem nunca foi cliente. Insatisfação legítima não é violação, e denunciar em massa chama atenção para o perfil.

O caminho lento é mais chato e é o único que constrói alguma coisa. Pedir para todo mundo, responder todo mundo, e aceitar que a média não vai ser 5,0. Um perfil com avaliação ruim bem respondida vende mais que um perfil impecável, e ainda tem a vantagem de não poder ser desligado por uma revisão de política.

Perguntas frequentes

O que é review gating?

É filtrar clientes por satisfação antes de direcioná-los à avaliação pública, normalmente perguntando uma nota interna e enviando ao Google apenas quem respondeu bem. A política do Google trata isso como solicitação seletiva de avaliações positivas e proíbe a prática.

Qual a punição por filtrar avaliações no Google?

O Google pode aplicar restrições ao perfil da empresa, incluindo impedir que ele receba novas avaliações por um período e despublicar avaliações existentes. O risco prático é perder reputação já acumulada.

Posso oferecer desconto para o cliente avaliar?

Não. Oferecer pagamento, desconto, brinde ou qualquer benefício em troca de avaliação, de mudança de nota ou de remoção de avaliação negativa é proibido pela política do Google.

Posso pedir avaliação para os meus clientes?

Sim. A política permite convidar clientes a compartilhar experiências genuínas, desde que o convite vá para todos sem triagem por satisfação, sem incentivo e sem orientar o conteúdo ou o número de estrelas.

Colocar meta de avaliações para a equipe é problema?

Sim. Determinar que funcionários obtenham um número de avaliações, ou fornecer roteiro de solicitação, está entre as práticas listadas como violação, mesmo quando as avaliações resultantes são de clientes reais.

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