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Tráfego pago

Seu CPM subiu 40% e o problema quase nunca é o criativo

O reflexo de todo mundo quando o custo sobe é trocar a arte. Na maioria das contas que auditamos, o criativo era a quinta causa, não a primeira. Como diagnosticar na ordem certa em 15 minutos.

Victor F. Ladeira5 min de leitura
Painel de gerenciador de anúncios mostrando curva de CPM em alta
Painel de gerenciador de anúncios mostrando curva de CPM em alta

Toda segunda-feira alguém abre o Gerenciador, vê o CPM em alta e manda a mesma mensagem: "precisamos de criativos novos".

Às vezes precisa mesmo. Mas nas auditorias que a gente faz em contas de terceiros, criativo saturado aparece como causa raiz em algo perto de uma a cada cinco vezes. Nas outras quatro, o criativo estava bem. O que estava errado era a estrutura em volta dele.

Antes: CPM não é preço de mídia

Isso destrava o resto do raciocínio. Você não compra impressão a um preço de tabela. O que acontece é um leilão, e o vencedor de cada impressão não é quem oferece mais dinheiro. É quem tem o maior valor total, que combina, de forma simplificada:

quanto você está disposto a pagar × probabilidade estimada de a pessoa realizar a ação × qualidade percebida do anúncio

Duas consequências práticas caem daí:

  • Quando seu anúncio piora, você paga mais pela mesma impressão. O leilão cobra caro de quem entrega experiência ruim.
  • Quando a concorrência pelo seu público esquenta, você paga mais sem ter mudado nada. O leilão é relativo, não absoluto.

Guardado isso, dá para diagnosticar na ordem.

As cinco causas, em ordem de frequência

1. Frequência: o público acabou, não o criativo

O sintoma clássico: CPM subindo devagar e constante ao longo de duas ou três semanas, CTR caindo junto, CPA subindo atrás.

O que olhar: frequência em janela de 7 dias, no nível do conjunto, para público frio. Passou de 2,5 e continuando a subir, você está reapresentando o mesmo anúncio para as mesmas pessoas. Elas param de reagir, o CTR cai, o leilão te penaliza, o CPM sobe. O criativo não cansou. Quem cansou foi a audiência.

A correção quase nunca é trocar a arte. É ampliar ou trocar o público, ou aceitar que aquele conjunto chegou ao teto e realocar o orçamento.

2. Sazonalidade do leilão: você entrou numa briga cara

Black Friday, Dia das Mães, período eleitoral, fim de trimestre de grandes anunciantes. Nessas janelas, empresas com bolso muito maior entram disputando exatamente os mesmos olhos, e o preço de todo mundo sobe.

Como identificar: compare com o mesmo período do ano anterior, não com o mês passado. E olhe se o CPM subiu em todas as suas campanhas ao mesmo tempo, inclusive nas que você não tocou. Se subiu em bloco, o problema é o mercado, não a sua conta.

O que fazer: ou você aceita o custo maior porque a intenção de compra também está maior naquele período, ou você sai da briga e reinveste depois. As duas decisões são legítimas. A que não é legítima é ficar mexendo na campanha achando que quebrou algo.

3. Orçamento fragmentado: nada sai do aprendizado

Seis conjuntos com R$ 30 por dia cada. Nenhum deles junta eventos suficientes por semana para o sistema aprender quem converte. Todos ficam presos em fase de aprendizado, todos entregam mal, todos pagam caro.

Regra de bolso que funciona: um conjunto precisa de cerca de 50 eventos de otimização por semana para estabilizar. Se o seu CPA é R$ 40, isso significa aproximadamente R$ 285 por dia naquele conjunto. Não tem esse orçamento? Então você não tem seis conjuntos. Você tem um.

Consolidar público e orçamento costuma derrubar o CPM mais rápido do que qualquer criativo novo.

4. Público estreito demais

Interesse cruzado com interesse, cruzado com faixa etária de cinco anos, cruzado com duas cidades. O anunciante acha que está sendo cirúrgico. Na prática ele está disputando um inventário minúsculo com todo mundo que teve a mesma ideia, e o preço de um inventário escasso é alto por definição.

Sintoma: CPM muito acima da média da conta em um conjunto específico, com alcance potencial pequeno e frequência subindo rápido.

Público amplo com criativo que filtra costuma sair mais barato do que público estreito com criativo genérico. Deixe a segmentação acontecer no anúncio, não só na configuração.

5. Aí sim: o criativo

Quando as quatro anteriores estão descartadas e o CTR está claramente abaixo da média histórica da conta desde o primeiro dia daquele anúncio (não caindo com o tempo, mas nascendo baixo), o problema é a peça.

Repare na diferença: criativo saturado tem CTR que decai. Criativo ruim tem CTR que já nasce baixo. São diagnósticos diferentes e correções diferentes.

O diagnóstico em 15 minutos

Na ordem, sem pular:

  1. Todas as campanhas subiram juntas? Sim → mercado ou sazonalidade. Vá para o comparativo anual.
  2. A frequência de 7 dias passou de 2,5 em público frio? Sim → saturação de audiência.
  3. Algum conjunto está com menos de 50 eventos por semana? Sim → fragmentação de orçamento.
  4. Algum conjunto tem alcance potencial muito pequeno e CPM fora da curva? Sim → público estreito.
  5. O CTR do anúncio já nasceu baixo? Sim → agora é criativo.

Anote o resultado. Sério: anote. A conta que registra diagnóstico para de repetir a mesma correção errada a cada três meses.

O que não fazer enquanto diagnostica

  • Não mexa em mais de 20% do orçamento por dia. Alteração grande reinicia o aprendizado, e o custo sobe justamente quando você estava tentando derrubá-lo.
  • Não duplique a campanha para "resetar". Você não reseta nada; você cria uma segunda campanha que vai competir com a primeira no mesmo leilão. Você virou seu próprio concorrente.
  • Não desligue tudo e recomece. Histórico de aprendizado é ativo. Jogar fora é caro.

E se o CPM alto for uma boa notícia?

Acontece mais do que parece. CPM alto com CPA baixo e ROI saudável significa que você está comprando atenção cara de gente que compra. É exatamente o que se espera de um público qualificado num segmento disputado.

CPM é um custo intermediário. Ele só importa na medida em que empurra o custo por resultado. Se o custo por resultado está de pé e o retorno também, o CPM subir é ruído. E otimizar ruído custa dinheiro real.

A pergunta certa nunca é "por que meu CPM subiu". É "o meu custo por venda subiu junto?". Se a resposta for não, feche o relatório e vá trabalhar em outra coisa.

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Quer isso aplicado na sua conta?

A gente faz um diagnóstico da operação antes de propor qualquer coisa, e diz também quando não vale contratar.

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