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Sites e conversão

Seu site passava no teste de velocidade do Google. A régua mudou e o que reprova é o que o marketing instalou.

A métrica antiga media só o primeiro toque na página. A nova mede a resposta de todos eles, e muito site que passava com folga não passa mais. O que trava a tela quase sempre é o chat, o gerenciador de tags e o pop-up de captura.

Diego Zanqueta8 min de leitura
Comparação entre a métrica antiga que media o primeiro toque e a nova que mede todas as interações
Comparação entre a métrica antiga que media o primeiro toque e a nova que mede todas as interações

Existe uma reclamação que todo mundo já ouviu e quase ninguém investiga: "o site não é lento, mas quando eu clico demora um pouco para responder".

Essa frase não descreve carregamento. Descreve o site pronto, com tudo na tela, sem resposta ao toque. Por anos essa experiência não aparecia em teste nenhum, porque a métrica do Google media outra coisa.

Agora ela aparece, e muita empresa descobriu isso da pior forma: abriu o relatório e viu reprovado num site que passava com folga.

O que mudou na régua

A métrica antiga media o atraso da primeira interação. Só a primeira, e só o atraso até o navegador começar a processar, não até a tela mudar.

Era generosa em dois sentidos. Primeiro porque a primeira interação costuma acontecer cedo, antes de o site ter carregado tudo que ele carrega. Segundo porque parar de medir no início do processamento ignora justamente a parte que o usuário percebe.

A métrica nova mede todas as interações da visita, e mede até a tela efetivamente mudar. O alvo é ficar abaixo de 200 milissegundos.

A consequência é direta: sites que passavam quase universalmente na métrica antiga passam em proporção bem menor na nova. A diferença não é rigor arbitrário. É a distância entre o que a régua antiga media e o que o usuário sempre sentiu.

O que trava a tela, na ordem

A causa é quase sempre a mesma: JavaScript ocupando a fila principal do navegador. Enquanto um script roda, nada mais acontece. O clique da pessoa entra numa fila e espera.

E o ranking de ocupantes dessa fila é constrangedor para quem trabalha com marketing.

1. Gerenciador de tags com tag acumulada. O caso clássico: três anos de instalações, ninguém removeu nada, e hoje existem tags de ferramentas que a empresa não usa mais. Cada uma carrega o próprio código e disputa o mesmo processador.

2. Widget de chat. É o mais pesado da lista com folga, e o mais difícil de remover politicamente, porque alguém vai dizer que ele traz lead. Traz mesmo. Também custa em resposta, e quase ninguém já comparou os dois lados.

3. Gravador de sessão e mapa de calor. Ferramentas que registram tudo que o usuário faz precisam escutar tudo que o usuário faz. É caro por desenho.

4. Pop-up de captura e prova social. Aqueles avisos de "alguém acabou de comprar" ficam consultando servidor e redesenhando a tela durante a navegação.

5. Testador de A/B. Alguns bloqueiam a renderização de propósito, para evitar que a versão original apareça antes da variante.

6. Carrossel e animação de rolagem. Menos comum, mas aparece em site com muito efeito visual.

A ironia é limpa: as ferramentas instaladas para aumentar conversão são as que mais atrapalham a resposta da página. Nenhuma delas é errada sozinha. Seis ao mesmo tempo é outra história.

Como medir sem se enganar

Aqui tem uma armadilha que faz muita empresa concluir que está tudo bem.

Ferramenta de teste que roda numa simulação mede a página carregando, não uma pessoa usando. Ela pode dar nota ótima num site que trava ao clicar, porque ninguém clicou.

O que vale é dado de usuário real, coletado dos visitantes de verdade do seu site. Dois lugares:

  • O relatório de Core Web Vitals no Search Console, que agrupa suas URLs por situação e mostra a evolução.
  • O campo de dados reais nas ferramentas de teste do Google, quando o seu site tem visitas suficientes para constar na base pública.

Se o seu site tem pouco tráfego, ele pode não aparecer nessa base. Nesse caso dá para medir por conta própria, com uma biblioteca que registra as métricas dos visitantes reais e manda para o seu analytics. Dá trabalho e é o único jeito honesto.

A ordem de correção

Ela é bem diferente de "otimizar o site", e começa por onde quase ninguém quer começar.

1. Inventário de tags. Abra o gerenciador e liste tudo que está publicado. Para cada item, uma pergunta: alguém olhou algum dado disso nos últimos 90 dias? O que ninguém olha, sai. Essa etapa não custa desenvolvimento e costuma resolver boa parte do problema.

2. Carregue o que é secundário depois da interação. Chat, gravador de sessão e prova social não precisam existir no primeiro segundo. Carregar depois da primeira rolagem, ou depois de alguns segundos, tira eles da disputa no momento mais crítico.

3. Quebre o trabalho pesado em pedaços. Isso é tarefa de desenvolvimento. Se a página faz um cálculo grande ao clicar, filtrar ou ordenar, ele precisa ceder o processador de tempos em tempos em vez de ocupar tudo de uma vez.

4. Mostre resposta imediata mesmo antes de terminar. Muitas vezes a correção não é ficar mais rápido, é confirmar o clique na hora: o botão muda de estado, aparece um indicador, a linha some da lista. A percepção melhora antes do processamento acabar.

5. Revise o testador de A/B. Se ele bloqueia renderização, avalie se o ganho dos testes compensa o custo permanente em toda visita.

Por que isso é conversa de conversão, e não de SEO

Velocidade entrou na pauta de marketing como fator de ranqueamento, e é o argumento mais fraco dos dois. O peso disso na busca é pequeno perto de relevância e autoridade.

O argumento forte é outro: atraso na resposta derruba conversão, e isso é medido há anos em estudos de e-commerce e em casos publicados de empresas que melhoraram interatividade e viram venda subir. Os números variam bastante por segmento e vale desconfiar de qualquer percentual apresentado como universal.

A lógica não varia. Toque sem resposta produz toque repetido, que produz ação duplicada ou abandono. Em formulário, o efeito é maior: a pessoa clica em enviar, nada acontece, ela clica de novo, o sistema registra duas vezes ou trava a validação.

E existe um efeito colateral de medição que vale mencionar. Duplo clique em botão de conversão gera evento duplicado, que infla o relatório de campanha. Ou seja: página travada não custa só venda, custa também a confiança no número que você usa para decidir verba.

O que não fazer

Não teste só a home. As páginas que decidem venda são as de filtro, carrinho e formulário, e são exatamente as que têm mais interação.

Não confie em teste de laboratório. Simulação não clica. Se ninguém interagiu, a métrica de interação não significa nada.

Não remova o chat por causa deste artigo. Compare: quantos atendimentos ele gera por mês, contra quanto ele custa em resposta. Pode valer muito a pena mantê-lo, carregando depois. Decisão sem os dois números é chute.

Não trate como projeto único. Tag nova entra toda semana. Sem revisão periódica, o site volta ao estado anterior em seis meses e alguém vai propor um redesign para resolver um problema de acúmulo.

O site não ficou pior. A régua passou a medir o que o usuário sempre sentiu, e o que reprova costuma ser um monte de coisa boa instalada uma a uma, cada uma com uma justificativa razoável, sem ninguém nunca ter olhado a soma.

Perguntas frequentes

O que é INP no Core Web Vitals?

É a métrica que mede o tempo entre a interação do usuário, como um clique ou toque, e a atualização visível da tela. Diferente da métrica anterior, ela considera todas as interações da visita e mede até a tela mudar, não apenas até o navegador começar a processar.

Qual é um bom valor de INP?

Abaixo de 200 milissegundos é considerado bom. Acima de 500 milissegundos é considerado ruim. A avaliação usa dado de usuários reais, e não o resultado de uma simulação.

Por que meu site passava antes e agora não passa?

Porque a métrica anterior media apenas o atraso da primeira interação, que costuma acontecer cedo e antes de todos os scripts carregarem. A métrica atual mede todas as interações e inclui o tempo até a tela responder, revelando travamentos que antes não eram contabilizados.

O que mais atrapalha a responsividade de um site?

JavaScript ocupando a fila principal do navegador, geralmente vindo de ferramentas de terceiro: gerenciador de tags com tags acumuladas, widget de chat, gravador de sessão, pop-up de captura, prova social e testadores de A/B que bloqueiam a renderização.

Velocidade do site influencia ranqueamento no Google?

Influencia, com peso pequeno perto de relevância e autoridade. O argumento mais forte para corrigir não é busca, é conversão: interação sem resposta gera clique repetido, abandono e, em formulários, eventos duplicados que ainda distorcem o relatório de campanha.

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