O site ficou pronto. Agora começa o custo que ninguém colocou no orçamento.
Domínio, hospedagem, atualização, correção, ajuste de conteúdo e a hora em que alguém precisa olhar. A conta anual costuma ficar entre R$ 700 e R$ 7.000, e a escolha da tecnologia decide de qual lado dessa faixa você vai cair.
A conversa sobre site termina na entrega. O arquivo é aprovado, o link é compartilhado no grupo, alguém comemora.
Oito meses depois chega a mensagem: "o site está fora do ar" ou "aquele formulário parou de enviar e a gente não sabe desde quando".
Nenhuma das duas coisas é acidente. São o custo de manutenção aparecendo do jeito mais caro possível, que é de uma vez e no pior momento. Este texto é para colocar esse custo na planilha antes, junto com o preço da construção.
A conta, linha por linha
| Item | Por ano | Dá para não ter? |
|---|---|---|
| Domínio | R$ 40 a R$ 120 | Não |
| Hospedagem | R$ 0 a R$ 1.800 | Depende da tecnologia |
| Certificado de segurança | Normalmente incluso | Não |
| Atualização de plugins e tema | R$ 0 a R$ 2.400 | Depende da tecnologia |
| Backup e monitoramento | R$ 0 a R$ 600 | Tecnicamente sim, na prática não |
| Ajustes de conteúdo | R$ 0 a R$ 3.000 | Sim, se você mesmo editar |
| Correções e imprevistos | Variável | Não |
O total realista fica entre R$ 700 e R$ 7.000 por ano, e a distância entre os dois extremos quase não tem a ver com o tamanho do site. Tem a ver com duas escolhas feitas no primeiro dia: qual tecnologia e quem edita.
A escolha de tecnologia que decide a conta
Existe uma bifurcação técnica com consequência direta de bolso, e ela quase nunca aparece na proposta comercial.
Sites que montam a página na hora do acesso (o modelo do WordPress e da maioria dos gerenciadores de conteúdo) rodam código a cada visita. Isso é ótimo para flexibilidade e significa três coisas: precisa de servidor que execute código, precisa de atualização constante de tema e plugins, e cada plugin é uma porta que pode ficar aberta.
A maior parte dos casos de site invadido que a gente vê não é ataque sofisticado. É um plugin desatualizado há oito meses.
Sites gerados uma vez e servidos como arquivo pronto não executam nada no servidor. A hospedagem costuma ser de graça ou quase, não existe plugin para atualizar, e a superfície de ataque é próxima de zero.
A contrapartida é honesta: editar conteúdo exige um painel que alguém precisa ter construído, e nem todo projeto tem. Sem isso, cada mudança vira tarefa de desenvolvedor.
O custo que não aparece em nota fiscal
Os itens acima são os que têm boleto. Existem outros três que custam caro e não aparecem em lugar nenhum.
O tempo de alguém da sua equipe. Trocar um telefone, subir uma foto, corrigir um preço. Se isso leva vinte minutos e acontece duas vezes por mês, é meio dia de trabalho por ano para tarefas que deveriam levar dois minutos.
O tempo parado esperando o fornecedor. Um preço errado no site durante três dias porque ninguém respondeu o chamado. Esse custo é de venda, não de manutenção, e é o mais difícil de enxergar.
O acúmulo. Ninguém decide deixar o site desatualizado. Acontece: um ajuste adiado, um plugin que não pode ser atualizado porque quebra o layout, um formulário que ninguém testa. Depois de dois anos, a soma disso vira um argumento para refazer o site inteiro, e aí o custo não é mais manutenção.
Contrato mensal ou chamado avulso
As duas opções são legítimas e servem a casos diferentes.
Chamado avulso funciona quando o site muda pouco, você tem acesso ao painel e o negócio não depende dele para vender hoje. Você paga a hora quando precisa. Costuma sair entre R$ 120 e R$ 300 a hora.
O risco é de fila: fornecedor que atende por demanda te encaixa quando dá, e "quando dá" pode ser na semana que vem.
Contrato mensal faz sentido quando o site é canal de venda, quando existe conteúdo entrando com frequência, ou quando você precisa de tempo de resposta garantido. Costuma ficar entre R$ 200 e R$ 800 por mês para site institucional.
A pergunta que decide: quanto custa para o seu negócio o site ficar fora do ar por um dia útil? Se a resposta for "quase nada", chamado avulso. Se for um número que te incomoda, o contrato está comprando tempo de resposta, e é isso que você deve verificar na proposta.
O que dá para tirar da conta sem risco
Nem tudo aqui é obrigatório. Três economias legítimas:
Hospedagem cara sem motivo. Site institucional com poucas visitas não precisa de plano robusto. Se você paga mais de R$ 100 por mês por um site que recebe algumas centenas de visitas, vale conferir o que está pagando.
Plugin que ninguém usa. Em site com gerenciador de conteúdo, cada plugin instalado é custo de atualização e risco de segurança. Uma limpeza anual do que ninguém abre há seis meses reduz as duas coisas. Ela também costuma melhorar a velocidade da página, que é assunto do texto sobre o que trava o site ao clicar.
Ajuste de conteúdo terceirizado. Se a sua equipe puder editar textos e imagens num painel, essa linha some. Vale confirmar no momento da contratação que esse painel vai existir, porque depois ele custa desenvolvimento.
O que não dá para tirar
Backup que alguém já testou restaurar. Backup que nunca foi restaurado é uma esperança, não uma garantia. Vale pedir um teste de restauração uma vez por ano.
Atualização de segurança. Em site que roda código no servidor, essa é a linha que não se corta. O custo de não fazer aparece como site invadido, e a limpeza custa mais que anos de manutenção.
Alguém que olha. Não precisa de ferramenta cara. Precisa de alguém que, uma vez por mês, abra o site no celular, preencha o próprio formulário e confirme que a mensagem chegou. Vemos formulário quebrado há meses com mais frequência do que seria confortável admitir.
O que não fazer
Não descubra o custo de manutenção depois de contratar. Peça a estimativa anual junto da proposta. Fornecedor que não sabe responder provavelmente não pensou no depois, e esse é um dado sobre ele.
Não deixe domínio e hospedagem na conta do fornecedor. É a dependência mais cara de desfazer, e ela aparece exatamente no dia em que a relação azeda. As contas devem estar no nome da sua empresa, com acesso concedido a quem executa.
Não confunda manutenção com evolução. Corrigir o que quebrou é manutenção. Página nova é projeto. Misturar os dois no mesmo contrato gera atrito todo mês.
Não espere quebrar para testar. Formulário, velocidade no celular e restauração de backup são três verificações de quinze minutos que evitam os três problemas mais caros.
Manter um site não é despesa de infraestrutura. É o custo de manter no ar a página que a sua empresa usa para vender. Colocado na planilha desde o começo, ele é pequeno e previsível. Descoberto pela primeira vez no dia em que o site sai do ar, ele é caro e ainda vem com o prejuízo junto.
Perguntas frequentes
Quanto custa manter um site por ano?
O total realista fica entre R$ 700 e R$ 7.000 por ano. A faixa depende pouco do tamanho do site e muito de duas escolhas: a tecnologia usada, que define se há atualizações constantes a fazer, e quem edita o conteúdo, que define se os ajustes são internos ou cobrados.
Por que sites em WordPress custam mais para manter?
Porque executam código a cada acesso e dependem de tema e plugins que precisam ser atualizados com frequência. Essa manutenção é o que evita invasões, e a maior parte dos sites comprometidos que encontramos tinha um plugin desatualizado há meses.
Vale a pena contratar contrato mensal de manutenção?
Depende de quanto custa o site ficar fora do ar por um dia útil. Se esse valor for baixo, chamado avulso resolve. Se for um número relevante, o contrato está comprando tempo de resposta garantido, e é esse item que precisa estar escrito.
Quem deve ser o dono do domínio e da hospedagem?
A empresa contratante, sempre, com acesso concedido a quem executa. Domínio registrado no nome do fornecedor é a dependência mais difícil de desfazer, porque a transferência depende de boa vontade e de prazos de registrador.
O que deve estar incluso em um contrato de manutenção de site?
Tempo de resposta e horário de atendimento, quantidade de horas de ajuste inclusas, frequência de backup e o que acontece quando o limite de horas é ultrapassado. Igualmente importante é listar o que não é manutenção, como páginas novas, funcionalidades novas e redesenho.
Quer um número para o seu caso, e não uma faixa?
Me diz o que você precisa e eu te respondo com uma estimativa e o que faria ela subir ou descer. Se a conversa fizer sentido, marcamos vinte minutos. Se não fizer, eu falo isso também.