Pular para o conteúdo
Sites e conversão

Template, construtor ou sob medida: a escolha não é de orçamento, é de quem vai mexer depois

A conversa sempre começa pelo preço da entrega e deveria começar por outra pergunta. Quem vai trocar um telefone no site daqui a seis meses decide mais sobre o custo total do que a diferença entre as três propostas.

Diego Zanqueta8 min de leitura
Três caminhos de construção de site comparados por custo de entrada, custo de mudança e autonomia
Três caminhos de construção de site comparados por custo de entrada, custo de mudança e autonomia

A pergunta chega pronta: "é melhor fazer em WordPress, num construtor tipo esses de arrastar bloco, ou programar do zero?"

É a pergunta errada, e ela leva a comparar preço de entrega entre coisas que só ficam diferentes no ano seguinte.

A pergunta que decide é outra: quem vai mexer no site depois de pronto, com que frequência, e para fazer o quê?

Respondendo isso, a escolha técnica sai quase sozinha.

Os três caminhos, sem torcida

Construtor visual

Você monta arrastando blocos numa ferramenta que hospeda tudo. Modelo pronto, editor visual, publicação em minutos.

Custa entre nada e algumas centenas de reais por mês, dependendo do plano. Se alguém montar para você, some algo entre R$ 600 e R$ 2.500 pelo trabalho.

Ganha em: velocidade de colocar no ar e autonomia total para editar texto e imagem sem depender de ninguém.

Perde em: você fica dentro daquela ferramenta. O site não é um arquivo que você leva embora, é uma conta que você mantém. Se a assinatura parar, o site sai do ar. Personalização além do que os blocos oferecem costuma esbarrar rápido em limite, e desempenho no celular depende muito da ferramenta escolhida.

Gerenciador de conteúdo com tema

O caminho mais comum do mercado brasileiro. Um tema pronto, adaptado às suas cores e ao seu conteúdo, com plugins para o que faltar.

Custa entre R$ 800 e R$ 8.000 na entrega, dependendo de quanto é adaptação e quanto é desenho novo, e entre R$ 600 e R$ 3.000 por ano de manutenção.

Ganha em: flexibilidade enorme, mercado gigante de quem sabe mexer, e você não fica preso a um fornecedor só.

Perde em: manutenção obrigatória e contínua. Tema e plugins precisam ser atualizados, e essa é a origem da maior parte dos sites invadidos que a gente encontra. Em geral também é o caminho mais pesado, e peso no celular tem custo de conversão, como está no texto sobre o que trava o site ao clicar.

Sob medida

Alguém escreve o site para o seu caso, sem tema e sem construtor. Costuma vir com um painel próprio para você editar o conteúdo.

Custa a partir de R$ 8.000 e sobe conforme a complexidade, com manutenção anual baixa quando bem feito.

Ganha em: desempenho, segurança e a possibilidade de fazer exatamente o que o seu negócio precisa, inclusive coisa que ferramenta nenhuma faz. Quando o site é gerado uma vez e servido como arquivo pronto, não existe plugin para atualizar nem código rodando no servidor a cada acesso.

Perde em: custo de entrada, prazo maior, e dependência de quem escreveu, se o código não vier documentado e nas suas mãos.

A tabela que importa não é a de preço

ConstrutorGerenciador com temaSob medida
Entrar no arDiasSemanasSemanas a meses
Custo de entradaBaixoMédioAlto
Custo anualAssinaturaMédio a altoBaixo
Editar texto sozinhoSimSimDepende do painel
Mudar o layout sozinhoAté certo pontoCom esforçoNão
Levar para outro lugarDifícilRazoávelSim, se o código for seu
Risco de segurançaDa plataformaSeu, e contínuoBaixo

A linha "levar para outro lugar" é a que as pessoas descobrem tarde. Num construtor, o que você tem é uma conta, não um arquivo. Sair significa refazer.

Quatro situações e a resposta de cada uma

Você está começando e ainda não sabe o que vende melhor. Construtor. Você vai refazer em um ano de qualquer jeito, e vai refazer sabendo muito mais. Gastar R$ 20.000 antes de validar a oferta é gastar na ordem errada, como já argumentei em quanto custa um site.

Você publica conteúdo com frequência e tem quem escreva. Gerenciador de conteúdo. O ecossistema para blog é maduro, e a autonomia editorial vale a manutenção.

O site é o canal de venda e recebe mídia paga. Sob medida, ou um projeto muito bem feito na faixa de cima do gerenciador. Aqui velocidade e conversão são dinheiro direto, e as duas coisas costumam ser piores em montagem genérica.

Você precisa que o site converse com outro sistema. Sob medida. Agenda, estoque, ERP, área de cliente. Plugin que promete integrar tudo existe, funciona até certo ponto, e o ponto onde ele para costuma ser descoberto depois de você depender dele.

As três perguntas que revelam o custo escondido

Independentemente do caminho, pergunte a quem for executar:

1. Se eu quiser trocar de fornecedor daqui a dois anos, o que eu levo? Código, conteúdo, domínio, contas. A resposta honesta para construtor é "pouca coisa", e está tudo bem desde que você saiba.

2. Para trocar um telefone em todas as páginas, eu consigo sozinho? Parece bobo e é o teste mais revelador. Boa parte dos sites entregues exige chamado para isso.

3. Quem atualiza o que precisa ser atualizado, e isso está no contrato? Em gerenciador de conteúdo essa pergunta não é opcional. Sem resposta clara, a atualização não vai acontecer, e você vai descobrir do jeito ruim.

Migrar depois é caro?

Depende de para onde.

De construtor para qualquer outra coisa: caro, porque é refazer. O conteúdo você copia, o resto não vem junto.

De gerenciador para sob medida: razoável. O conteúdo é exportável e a estrutura de URLs pode ser preservada, que é o que protege o que você já conquistou em busca.

De sob medida para outro fornecedor: fácil se o código for seu e estiver documentado, difícil se não for. Essa é exatamente a cláusula que precisa estar escrita, junto das outras que discuto em contrato de marketing.

Em qualquer migração, a parte que mais dói não é técnica: é perder posicionamento de busca por trocar endereços de página sem redirecionar. Isso tem solução conhecida e precisa estar no escopo desde o começo, não descoberto depois.

O que não fazer

Não escolha plataforma pelo preço da entrega. A diferença entre as três aparece no segundo ano, e é aí que a decisão se paga ou se cobra.

Não aceite "faço em qualquer uma, você escolhe". Quem executa deveria ter opinião sobre o seu caso. Delegar a escolha técnica para o cliente é transferir um risco que ele não tem como avaliar.

Não misture os três. Site institucional num gerenciador, landing em construtor e blog em outro lugar é o começo de uma bagunça de domínio e medição que custa caro para desfazer.

Não decida sozinho sem envolver quem vai editar. Se quem atualiza o site é uma pessoa da recepção, a opinião dela sobre o painel vale mais que a sua sobre a tecnologia.

Não existe caminho melhor. Existe o caminho que combina com quem vai conviver com o site depois que a euforia da entrega passar. Essa pessoa costuma não estar na reunião em que a decisão é tomada, e é ela quem vai pagar por uma escolha ruim, em pequenas doses, durante anos.

Perguntas frequentes

WordPress ou site sob medida, qual é melhor?

Depende de quem vai manter o site e do que ele precisa fazer. O gerenciador de conteúdo entrega flexibilidade e autonomia editorial, com a contrapartida de manutenção contínua obrigatória. O sob medida custa mais na entrada e entrega desempenho, segurança e integrações que ferramentas prontas não fazem.

Vale a pena fazer site em construtor?

Vale quando você precisa de velocidade e ainda está validando a oferta, porque provavelmente vai refazer em um ano de qualquer forma. A limitação é que o site fica dentro da plataforma: você mantém uma conta, não possui um arquivo, e sair significa refazer.

Qual plataforma é melhor para SEO?

Nenhuma delas tem vantagem intrínseca. O que influencia busca é estrutura, conteúdo, velocidade e informação correta na página, e isso é possível nos três caminhos. Plugin de SEO facilita tarefas, mas não é o mesmo que estar melhor posicionado.

É caro migrar de plataforma depois?

Sair de construtor costuma significar refazer o site. Sair de um gerenciador de conteúdo é razoável, porque o conteúdo é exportável. O custo maior em qualquer migração não é técnico: é perder posicionamento de busca por trocar endereços de página sem redirecionar corretamente.

Como escolher entre as três opções?

Responda quem vai mexer no site, com que frequência e para fazer o quê. Se são textos e imagens, qualquer caminho serve. Se é mudar estrutura sozinho, construtor. Se o site precisa conversar com outro sistema ou receber mídia paga, sob medida tende a compensar.

Compartilhar

Quer um número para o seu caso, e não uma faixa?

Me diz o que você precisa e eu te respondo com uma estimativa e o que faria ela subir ou descer. Se a conversa fizer sentido, marcamos vinte minutos. Se não fizer, eu falo isso também.

Sem cadastro, sem e-mail automático depois. Só a resposta.