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Sites e conversão

Sua landing page não converte, e provavelmente não é a cor do botão

Testar botão é a última coisa da lista e a primeira que todo mundo faz. Nas páginas que a gente audita, cinco problemas explicam quase toda a perda, e nenhum deles se resolve no CSS.

Diego Zanqueta5 min de leitura
Esquema de uma landing page com cinco pontos de desistência numerados ao lado
Esquema de uma landing page com cinco pontos de desistência numerados ao lado

Toda vez que alguém me manda uma página perguntando por que ela não converte, a mensagem vem com uma hipótese anexada. Quase sempre a mesma: "acho que o botão está apagado" ou "será que mudo a cor?".

Em nenhuma auditoria que fiz o botão foi o problema.

Não porque design não importe. Importa. Mas porque, quando uma página converte mal de verdade, o motivo está bem antes do botão, e o visitante desiste sem nunca ter chegado perto dele. Estas são as cinco causas em ordem de frequência.

1. A página não entrega o que o anúncio prometeu

Este é o mais comum e o mais caro, porque desperdiça o clique que você já pagou.

O anúncio diz "conserto de ar-condicionado em 24 horas". A pessoa clica, chega numa home institucional com "soluções em climatização desde 2009", um carrossel com três serviços e um menu com sete itens. Ela não é burra: ela só não reconhece o lugar onde caiu.

A regra é simples e quase ninguém segue: a primeira linha da página deveria repetir a promessa do anúncio quase palavra por palavra. Se o anúncio fala em 24 horas, "24 horas" precisa estar visível sem rolar.

Como medir: abra o relatório por campanha e olhe a taxa de rejeição de quem chega pelo anúncio. Muito acima da média do site é sinal de desalinhamento, não de página feia.

2. O preço não aparece em lugar nenhum

Existe uma crença antiga de que esconder o preço faz a pessoa entrar em contato para descobrir. Ela entra em contato mesmo, mas é a pessoa errada.

Sem faixa de preço, três coisas acontecem ao mesmo tempo. Quem não tem orçamento pede orçamento e ocupa o seu vendedor. Quem tem orçamento e detesta jogo de esconde-esconde vai embora. E o time comercial passa o dia qualificando gente que nunca ia comprar.

Você não precisa publicar tabela. Uma faixa resolve: "projetos a partir de R$ 4.000", "planos entre R$ 300 e R$ 900 por mês". A quantidade de leads costuma cair, e a de vendas costuma subir. Da última vez que vi isso acontecer, o time achou que a campanha tinha piorado até olhar o faturamento.

3. O formulário pede coisa demais

Cada campo tem um custo, e o custo não é linear: os últimos campos custam muito mais que os primeiros.

O padrão que mais vejo é um formulário com nome, e-mail, telefone, empresa, cargo, faturamento, como conheceu e mensagem. Oito campos para uma pessoa que ainda não decidiu nada.

A pergunta para cada campo é: o vendedor consegue começar a conversa sem essa informação? Se consegue, o campo sai. Faturamento, cargo e "como conheceu" quase sempre saem, e a informação aparece sozinha nos primeiros dois minutos de conversa.

Nome e WhatsApp bastam na maioria dos casos. O resto é curiosidade cara.

4. Não há nenhuma prova de que aquilo funciona

A página afirma bastante e comprova nada.

"Atendimento de excelência", "resultados comprovados", "equipe especializada". São frases que qualquer concorrente poderia colar no próprio site sem alterar uma vírgula. Se o texto sobrevive ao teste de trocar o nome da empresa, ele não está dizendo nada.

O que funciona como prova, em ordem de força:

  • Número específico com escopo. Não "aumentamos vendas", e sim "de 40 para 130 agendamentos por mês em quatro meses".
  • Depoimento com nome, foto e empresa. Sem isso vira frase inventada, e o leitor sabe.
  • Antes e depois, quando o serviço é visual. Vale mais que qualquer parágrafo.
  • Logo de cliente conhecido, se você tiver o direito de usar.

Uma prova concreta pesa mais que cinco adjetivos.

5. A página demora a abrir no celular

Este é o mais chato porque é invisível para quem fez a página. No computador do escritório, no wi-fi, tudo abre instantâneo.

O visitante está no 4G, no ônibus, com o celular de três anos atrás. Se a primeira coisa útil demora mais que uns três segundos para aparecer, uma parte considerável dele desiste antes de ver qualquer argumento.

Os culpados são quase sempre os mesmos:

  • Imagem enorme no topo, exportada em 4000px de largura para ser exibida em 400
  • Carrossel que carrega cinco fotos antes de mostrar a primeira
  • Vídeo de fundo em autoplay
  • Meia dúzia de scripts de rastreamento carregados antes do conteúdo

Rode a página no PageSpeed Insights e olhe só a aba de celular. É a que corresponde a como a maior parte do seu tráfego pago realmente chega.

A ordem certa de mexer

Se a página está convertendo mal, ataque nesta sequência. Ela vai do mais barato e mais impactante para o mais caro e menos impactante:

  1. Alinhar a primeira dobra com a promessa do anúncio
  2. Colocar faixa de preço
  3. Cortar campos do formulário
  4. Acrescentar uma prova concreta
  5. Resolver o peso das imagens
  6. Só aqui: mexer em texto de botão, cor, disposição

Os cinco primeiros passos não exigem redesenhar nada. São decisões de conteúdo, e costumam ser feitos numa tarde.

Quanto é uma taxa boa, afinal

Depende demais do setor para existir um número único, mas serve como referência: página de captação de lead bem alinhada com o anúncio costuma ficar entre 8% e 20%. Abaixo de 3%, quase sempre há um dos cinco problemas acima, não uma questão de otimização fina.

E uma última coisa, que vale mais que tudo o que está aqui: antes de mexer, anote a taxa atual. Sem número de partida, qualquer mudança vira opinião, e a discussão sobre a cor do botão volta na semana seguinte.

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