Sua landing page não converte, e provavelmente não é a cor do botão
Testar botão é a última coisa da lista e a primeira que todo mundo faz. Nas páginas que a gente audita, cinco problemas explicam quase toda a perda, e nenhum deles se resolve no CSS.
Toda vez que alguém me manda uma página perguntando por que ela não converte, a mensagem vem com uma hipótese anexada. Quase sempre a mesma: "acho que o botão está apagado" ou "será que mudo a cor?".
Em nenhuma auditoria que fiz o botão foi o problema.
Não porque design não importe. Importa. Mas porque, quando uma página converte mal de verdade, o motivo está bem antes do botão, e o visitante desiste sem nunca ter chegado perto dele. Estas são as cinco causas em ordem de frequência.
1. A página não entrega o que o anúncio prometeu
Este é o mais comum e o mais caro, porque desperdiça o clique que você já pagou.
O anúncio diz "conserto de ar-condicionado em 24 horas". A pessoa clica, chega numa home institucional com "soluções em climatização desde 2009", um carrossel com três serviços e um menu com sete itens. Ela não é burra: ela só não reconhece o lugar onde caiu.
A regra é simples e quase ninguém segue: a primeira linha da página deveria repetir a promessa do anúncio quase palavra por palavra. Se o anúncio fala em 24 horas, "24 horas" precisa estar visível sem rolar.
Como medir: abra o relatório por campanha e olhe a taxa de rejeição de quem chega pelo anúncio. Muito acima da média do site é sinal de desalinhamento, não de página feia.
2. O preço não aparece em lugar nenhum
Existe uma crença antiga de que esconder o preço faz a pessoa entrar em contato para descobrir. Ela entra em contato mesmo, mas é a pessoa errada.
Sem faixa de preço, três coisas acontecem ao mesmo tempo. Quem não tem orçamento pede orçamento e ocupa o seu vendedor. Quem tem orçamento e detesta jogo de esconde-esconde vai embora. E o time comercial passa o dia qualificando gente que nunca ia comprar.
Você não precisa publicar tabela. Uma faixa resolve: "projetos a partir de R$ 4.000", "planos entre R$ 300 e R$ 900 por mês". A quantidade de leads costuma cair, e a de vendas costuma subir. Da última vez que vi isso acontecer, o time achou que a campanha tinha piorado até olhar o faturamento.
3. O formulário pede coisa demais
Cada campo tem um custo, e o custo não é linear: os últimos campos custam muito mais que os primeiros.
O padrão que mais vejo é um formulário com nome, e-mail, telefone, empresa, cargo, faturamento, como conheceu e mensagem. Oito campos para uma pessoa que ainda não decidiu nada.
A pergunta para cada campo é: o vendedor consegue começar a conversa sem essa informação? Se consegue, o campo sai. Faturamento, cargo e "como conheceu" quase sempre saem, e a informação aparece sozinha nos primeiros dois minutos de conversa.
Nome e WhatsApp bastam na maioria dos casos. O resto é curiosidade cara.
4. Não há nenhuma prova de que aquilo funciona
A página afirma bastante e comprova nada.
"Atendimento de excelência", "resultados comprovados", "equipe especializada". São frases que qualquer concorrente poderia colar no próprio site sem alterar uma vírgula. Se o texto sobrevive ao teste de trocar o nome da empresa, ele não está dizendo nada.
O que funciona como prova, em ordem de força:
- Número específico com escopo. Não "aumentamos vendas", e sim "de 40 para 130 agendamentos por mês em quatro meses".
- Depoimento com nome, foto e empresa. Sem isso vira frase inventada, e o leitor sabe.
- Antes e depois, quando o serviço é visual. Vale mais que qualquer parágrafo.
- Logo de cliente conhecido, se você tiver o direito de usar.
Uma prova concreta pesa mais que cinco adjetivos.
5. A página demora a abrir no celular
Este é o mais chato porque é invisível para quem fez a página. No computador do escritório, no wi-fi, tudo abre instantâneo.
O visitante está no 4G, no ônibus, com o celular de três anos atrás. Se a primeira coisa útil demora mais que uns três segundos para aparecer, uma parte considerável dele desiste antes de ver qualquer argumento.
Os culpados são quase sempre os mesmos:
- Imagem enorme no topo, exportada em 4000px de largura para ser exibida em 400
- Carrossel que carrega cinco fotos antes de mostrar a primeira
- Vídeo de fundo em autoplay
- Meia dúzia de scripts de rastreamento carregados antes do conteúdo
Rode a página no PageSpeed Insights e olhe só a aba de celular. É a que corresponde a como a maior parte do seu tráfego pago realmente chega.
A ordem certa de mexer
Se a página está convertendo mal, ataque nesta sequência. Ela vai do mais barato e mais impactante para o mais caro e menos impactante:
- Alinhar a primeira dobra com a promessa do anúncio
- Colocar faixa de preço
- Cortar campos do formulário
- Acrescentar uma prova concreta
- Resolver o peso das imagens
- Só aqui: mexer em texto de botão, cor, disposição
Os cinco primeiros passos não exigem redesenhar nada. São decisões de conteúdo, e costumam ser feitos numa tarde.
Quanto é uma taxa boa, afinal
Depende demais do setor para existir um número único, mas serve como referência: página de captação de lead bem alinhada com o anúncio costuma ficar entre 8% e 20%. Abaixo de 3%, quase sempre há um dos cinco problemas acima, não uma questão de otimização fina.
E uma última coisa, que vale mais que tudo o que está aqui: antes de mexer, anote a taxa atual. Sem número de partida, qualquer mudança vira opinião, e a discussão sobre a cor do botão volta na semana seguinte.
Quer isso aplicado na sua conta?
A gente faz um diagnóstico da operação antes de propor qualquer coisa, e diz também quando não vale contratar.