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Sites e conversão

Quanto custa um site: por que o mesmo pedido vira orçamento de R$ 800 e de R$ 80 mil

A diferença quase nunca está no design, e nunca está no número de páginas. Está em quem decide o que a página vai dizer, quem escreve, e se alguém vai medir se ela funcionou. Um guia para ler orçamento de site sem ser enganado nos dois sentidos.

Diego Zanqueta5 min de leitura
Quatro faixas de preço de site em escala crescente, de tema pronto a sistema sob medida
Quatro faixas de preço de site em escala crescente, de tema pronto a sistema sob medida

Um cliente me mandou três orçamentos para o mesmo site. R$ 900, R$ 6.500 e R$ 34.000. Mesmo briefing, mesma quantidade de páginas, mesma semana.

A pergunta dele foi: "quem está me enganando?".

Resposta honesta: provavelmente ninguém. Os três estavam vendendo coisas diferentes com o mesmo nome. É isso que torna esse orçamento tão difícil de comparar, e é isso que dá para destrinchar.

O que realmente muda entre as faixas

Não é a quantidade de páginas. Um site de cinco páginas pode custar R$ 900 ou R$ 40.000, e nos dois casos entrega cinco páginas.

O que muda é quantas decisões são tomadas antes de alguém abrir o editor.

R$ 800 a R$ 2.500: tema pronto, conteúdo seu

Alguém instala um tema, troca as cores para as suas, coloca a sua logo e cola os textos que você mandou.

Não tem nada de errado com isso, desde que você saiba que está comprando montagem, não projeto. Funciona bem quando você já sabe exatamente o que quer dizer, tem as fotos, e precisa basicamente de um endereço na internet.

O risco é achar que comprou estratégia. Se você mandou o texto, o texto é seu, e a taxa de conversão vai refletir o texto que você escreveu.

R$ 2.500 a R$ 8.000: layout próprio, conteúdo em conjunto

Aqui alguém desenha para o seu caso em vez de adaptar um modelo. A estrutura das seções é pensada em cima do que você vende e para quem.

É a faixa onde cai a maior parte dos sites institucionais e das landing pages de empresa pequena e média no Brasil. Costuma incluir alguma ajuda com texto, otimização básica para busca e ajuste para celular.

R$ 8.000 a R$ 25.000: projetado para converter, e medido

A diferença desta faixa não aparece na tela, aparece no processo. Antes do desenho, alguém pesquisa concorrente, entrevista quem vende, define o argumento e escreve o texto com objetivo de conversão.

Depois da entrega, existe medição: rastreamento configurado, eventos de conversão, e a possibilidade de dizer, três meses depois, se o site funcionou.

É a faixa que faz sentido quando o site é canal de venda de verdade, não cartão de visita.

Acima de R$ 25.000: sistema, não site

Aqui já não é mais site. É agendamento online, área de cliente, integração com estoque ou ERP, catálogo com filtro, cálculo de frete, painel administrativo próprio.

Custa mais porque envolve programação de verdade, banco de dados, testes e manutenção. Comparar isso com um institucional é comparar uma casa com um apartamento pelo preço do metro quadrado.

Os custos que continuam depois da entrega

Este é o pedaço que some da conversa e volta como surpresa.

ItemCusto típico ao anoDá para não ter?
DomínioR$ 40 a R$ 120Não
HospedagemR$ 0 a R$ 1.200Depende da tecnologia
Certificado de segurançaNormalmente inclusoNão
Manutenção e atualizaçãoR$ 600 a R$ 3.600Em WordPress, não
Ajustes de conteúdoVariávelSim, se você mesmo editar

Um detalhe técnico com consequência de bolso: sites em WordPress precisam de atualização constante de plugins e tema, e é aí que mora a maior parte dos casos de site invadido. Sites estáticos, gerados uma vez e servidos como arquivo, praticamente não têm essa superfície de ataque nem esse custo recorrente.

Isso costuma explicar propostas que parecem caras na entrega e saem mais baratas no terceiro ano.

Cinco perguntas para comparar propostas

Mande as mesmas cinco para todo mundo. As respostas fazem os orçamentos ficarem comparáveis:

  1. Quem escreve os textos? Se a resposta for "você envia", some o custo do seu tempo ou de um redator ao orçamento.
  2. O site é feito para qual ação? Um bom projeto responde com uma ação só. Se a resposta for "apresentar a empresa", não espere conversão.
  3. Como vou editar depois? Painel próprio, WordPress, ou depender do fornecedor para trocar um telefone? Isso muda o custo de dois anos.
  4. O que acontece se eu quiser trocar de fornecedor? O código e o domínio ficam com você? Já vi empresa refém do próprio site porque o domínio estava no CPF do desenvolvedor.
  5. Vai existir medição? Sem eventos de conversão configurados, você nunca vai saber se o site funcionou, só se ele é bonito.

Quando o site barato é a decisão certa

Contra o que se esperaria de quem vende sites: na maior parte das vezes em que alguém está começando.

Se você ainda não sabe qual serviço vende mais, qual argumento convence, ou se o produto tem demanda, um site de R$ 1.500 é uma hipótese barata. Você vai querer refazer em um ano de qualquer jeito, e vai refazer sabendo muito mais.

Investir R$ 20.000 antes de validar a oferta é gastar o dinheiro na ordem errada. O site otimizado para conversão precisa saber o que converte, e isso você descobre operando.

E quando o barato sai caro

O contrário também é verdade, e o sintoma é sempre o mesmo: quando o site é o gargalo de uma operação que já funciona.

Se você já investe em anúncio, já tem demanda, e as pessoas chegam na página e não avançam, cada mês com uma página fraca custa mais do que o projeto inteiro custaria. Nessa situação, economizar no site é economizar no funil por onde o resto do dinheiro passa.

A regra que eu uso: enquanto o site é uma aposta, gaste pouco. Quando ele vira infraestrutura de venda, gaste o que ele merece. O erro caro é fazer o inverso.

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Quer isso aplicado na sua conta?

A gente faz um diagnóstico da operação antes de propor qualquer coisa, e diz também quando não vale contratar.

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