Time interno ou agência: a conta que quase ninguém faz direito
Comparar a mensalidade da agência com o salário de um analista é comparar coisas diferentes. Quando você soma encargos, ferramentas, curva de aprendizado e o custo de a pessoa ir embora, o número muda de lado.
A conversa costuma começar assim: "a agência cobra R$ 4.000 e eu contrato um analista por R$ 4.500, então é quase a mesma coisa e o funcionário é só meu".
A primeira parte da frase está errada. E é errada de um jeito que só aparece três meses depois, quando o custo real já entrou na folha.
Vamos somar direito, e depois falar do que a soma não captura, que é onde a decisão de verdade acontece.
A soma que falta
Um salário de R$ 4.500 no regime CLT não custa R$ 4.500 à empresa. Custa isso mais os encargos, e no Brasil eles não são pequenos.
| Linha | Valor mensal aproximado |
|---|---|
| Salário | R$ 4.500 |
| FGTS, férias, 13º e provisões | R$ 1.700 |
| Vale-refeição, transporte, plano | R$ 900 |
| Ferramentas e assinaturas | R$ 600 |
| Espaço, equipamento, rateio | R$ 400 |
| Custo real | R$ 8.100 |
Os valores variam com regime, região e benefícios, mas a proporção se sustenta: o custo de um contratado fica entre 1,6 e 1,8 vez o salário nominal.
E ainda faltam duas linhas que ninguém coloca na planilha.
A curva de aprendizado. Nos dois ou três primeiros meses, essa pessoa está aprendendo o seu negócio. É custo pago, resultado baixo, e é normal. Vale contar.
O risco de saída. Se ela pedir demissão no oitavo mês, você paga rescisão, fica sem ninguém, recomeça o processo seletivo e recomeça a curva. Numa agência esse risco é dela, não seu.
O que a agência entrega que uma pessoa não entrega
Aqui não é sobre custo, é sobre composição.
Uma conta de tráfego bem operada precisa de quatro habilidades que raramente moram na mesma pessoa: estratégia, mídia, criativo e medição. O analista sênior que domina as quatro existe, é raro, e não custa R$ 4.500.
Na prática, quando você contrata uma pessoa, contrata uma dessas habilidades e improvisa as outras três. O caso clássico é o profissional que manda bem em campanha e sofre com criativo. A campanha fica impecável e o anúncio não para o dedo de ninguém.
A agência resolve isso por diluição: são quatro pessoas, cada uma com a sua parte, e você paga uma fração do tempo de cada.
O que uma pessoa interna entrega que a agência não entrega
E aqui é o outro lado, que agência nenhuma gosta de escrever.
Contexto. Quem senta na sua empresa ouve o time de vendas reclamar, sabe qual produto encalhou, percebe que o concorrente baixou o preço. Isso não cabe em reunião mensal.
Velocidade. Uma peça para hoje à tarde sai hoje à tarde. Numa agência ela entra numa fila.
Acúmulo. O que essa pessoa aprende fica na sua empresa. O que a agência aprende vai embora junto com o contrato.
Presença. Para operações que dependem de conteúdo diário, presença em loja, bastidor, gravação, não ter alguém ali é limitante de um jeito que nenhuma mensalidade compensa.
Os três critérios que decidem de verdade
Preço empata com mais frequência do que parece. O que desempata é isto:
1. Quanto do seu resultado depende de contexto interno
Se o seu marketing é basicamente rodar campanhas de aquisição para um produto estável, é terceirizável. Se ele depende de estoque, de agenda, de sazonalidade da loja, de ouvir o cliente reclamar no balcão, a distância cobra caro.
2. Qual é o tamanho da operação
Abaixo de uns R$ 15 mil de verba mensal, um contratado dificilmente se paga. Você estaria pagando R$ 8.100 para gerenciar R$ 10.000, o que é uma proporção que não se sustenta.
Acima de R$ 50 mil de verba, a conta começa a inverter, e o modelo híbrido costuma ganhar dos dois puros.
3. Quem vai saber se o trabalho está bom
Este é o critério que mais decide e o menos citado.
Se ninguém na empresa sabe avaliar uma conta de anúncios, contratar internamente é arriscado: você não tem como distinguir um profissional bom de um que só mantém as campanhas ligadas. Na agência, ao menos, existe um contrato que você pode encerrar.
O inverso também vale. Se você entende do assunto e vai acompanhar de perto, uma pessoa interna sob a sua supervisão rende mais do que uma agência que você não fiscaliza.
O modelo que mais funciona depois de certo tamanho
Vale dizer, porque quase nunca aparece nessa discussão como se fosse uma terceira opção legítima: alguém interno cuidando do que exige contexto, agência cuidando do que exige especialidade.
Na prática costuma ficar assim: a pessoa interna cuida de conteúdo, redes, relacionamento e da ponte com vendas. A agência cuida de mídia paga, medição e desenvolvimento. Cada um faz o que a sua posição permite fazer melhor.
Custa mais que escolher um dos dois, e é por isso que só faz sentido a partir de um certo tamanho de operação. Mas resolve a maior parte das reclamações que existem contra cada modelo isolado.
Como decidir em uma tarde
Faça as três coisas, nesta ordem:
- Some o custo real da contratação, com encargos, ferramentas e benefícios. Não use o salário nominal.
- Liste o que você precisa que seja feito por semana, com honestidade. Se a lista tem criativo, campanha, análise e conteúdo, uma pessoa só não dá conta.
- Responda quem vai avaliar a qualidade. Se a resposta for "ninguém", terceirize e cobre por resultado, ou contrate alguém e contrate junto uma consultoria para auditar.
A decisão fica óbvia em pelo menos dois terços dos casos. E quando ela não fica, quase sempre é porque a operação ainda é pequena demais para que a diferença importe.
Quer isso aplicado na sua conta?
A gente faz um diagnóstico da operação antes de propor qualquer coisa, e diz também quando não vale contratar.